terça-feira, 9 de junho de 2026

Pelé, uma ideia


Houve um homem chamado Edson. Nasceu em Três Corações, Minas Gerais, num Brasil que ainda engatinhava no século. Edson pagava impostos, envelheceu, teve filhos, errou como erram os homens, morreu numa tarde de dezembro. Mas Edson carregava dentro de si um inquilino imortal: Pelé. E Pelé, ao contrário de Edson, nunca foi exatamente uma pessoa. Pelé sempre foi uma ideia.

As ideias têm dessas vantagens sobre os corpos: não sentem cãibra, não rompem o menisco, não recebem intimação. Quando o menino de Bauru engraxava sapatos para ajudar em casa, a ideia já estava lá, esperando, paciente como esperam as coisas inevitáveis. Bastou um gramado na Suécia, em 1958, e um chapéu sobre um zagueiro atônito, para que a ideia saísse do corpo de um garoto de dezessete anos e entrasse, de uma vez por todas, no imaginário do mundo.

Desde então, Pelé deixou de ser substantivo próprio. Virou adjetivo, virou medida, virou régua. O Pelé do xadrez. O Pelé da medicina. A Pelé do tênis. Quando queremos dizer que alguém é o melhor naquilo que faz, não recorremos a Aristóteles, a Einstein, a Da Vinci — recorremos a um filho de Dona Celeste. O dicionário Michaelis acabou rendendo-se ao óbvio e registrou: "pelé, aquele que é fora do comum". Nenhum atleta jamais conquistou território tão definitivo. Não o pódio, não a estátua: a língua.

E a língua, como se sabe, é onde as ideias moram de aluguel vitalício.

Há quem discuta, em mesas de bar e em redes sociais, se ele foi mesmo o maior. Comparam números, vídeos granulados, épocas incomparáveis. Discussão inútil e, ainda assim, deliciosa, porque o simples fato de toda comparação começar e terminar nele já é a resposta. Ninguém pergunta se fulano é melhor que Garrincha, que Maradona, que Messi. Pergunta-se sempre, no fim, se é melhor que Pelé. Ele é o denominador. É contra a ideia que todos jogam.

O corpo de Edson se foi no fim de 2022. Mas reparem: ninguém enterrou Pelé. Não se enterra uma ideia. Ideias não cabem em caixões; cabem, no máximo, em meninos. E lá estão eles, agora mesmo, em algum campo de terra de Três Corações, de alguma parte pobre da Bahia(Minha terra mas não sou um Pelé) descalços, driblando latas, narrando a si mesmos em voz alta o gol que ainda não fizeram. Em cada um deles, a ideia recomeça. Porque é isso que Pelé sempre foi: a prova, vestida de camisa dez, de que um país inteiro pode caber num drible. Edson morreu, como morrem os homens. Pelé, não. Pelé é uma ideia, e ideias, quando são boas de bola, não param nunca de correr.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Seu poeta quero uma poesia assim
não tão fácil, mas que não seja difícil de deglutir
simples como o cair de uma folha no mato
forçada pela natureza espontânea
Da conseqüência e razão
por si escondida nos pêlos bailando nas mãos
de quem pede para o fim de uma poesia assim
Onde o autor, desafiador e desconstrutor
quer partir bem além do horizonte
Penumbroso e conflitante
para se chegar ao fim
de uma poesia simples assim.
era num blog seu q não lembro o nome agora mas, já tinha salvo a muito tempo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Gente bonita

Quero ser artistaaaa
famoso
ganhar todos os olhares e atenções
sofrer o mal do mundo
sozinho como um pão
na mão de um faminto
como minto na minha postura
de eterno e inatingivel cidadão
o ar e o ter se fundem na minha pessoa
sou arteiro, e assim o artista nunca virá primeiro
pinto o 7, o 8 e o 9
o 10 eu deixo pra você
artista

terça-feira, 27 de maio de 2008

Dizeres ponto com

Antes da internet vem o homem
Antes da Tv vem o homem
Antes do rádio vem o homem
Antes do jornal vem o homem
Antes da língua vem o homem
Antes do silêncio vem o mistério

quinta-feira, 8 de maio de 2008

"Essa menina..."

"Se pudesse cantava

todos os dias

pra ve vc dormir de boca aberta

de cansaço do dia

te dar um banho de beijos coloridos

para te deixar mais viva

e te cobrir de sensações

ate entao jamais registradas

mas isso td so seria vida,

se houvesse poesia"

domingo, 11 de novembro de 2007

Filho

A dúvida sobre tudo que vivo
vem aos poucos
A eternidade se expôs
Com muita força me tirou de rumo
Ou me lançou em um outro
Onde de cabeça pensei
aceitei e refutei
Rejetei o seu novo, o meu, o nosso
Irriguei a secura da minha terra
E sei que sempre estarei mais perto de mim
Quando no céu brilhar a luz mais próxima
Onde finda nossas lembranças
E nascerá a esperança
Pois nesse dia 3, os três serão um
Você
Minha eternidade
Meu filho.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Coisas

As coisas tem na sua ordem
Algo desordenado
como um coração alado
cheio de rima
Em cima da palavra mais imitada
Amor
Cor nos olhos dos cegos
Sozinhos, apaixonados
Procuram a resposta
do peito, do leito
Para se recostar